A Amazônia a um click
18 de fevereiro de 2016
O marketing e o turismo
18 de fevereiro de 2016
Exibir Tudo

As viagens pela Amazônia na visão dos gringos

A péssima visão sobre os serviços turísticos prestados na Região Amazônica não é novidade pra ninguém. Porém a forma como ela é difundida nos grandes guias europeus é cômica, se não fosse trágica para nós moradores dessa região.

Pesquisando em algumas bibliotecas em Londres consegui fazer uma junção de algumas dessas pérolas que achei em alguns dos famosos guias de turismo na Europa, como o frommers, o Foot Print Travel Guides, o Insight Guides e o Lonely Planet, que juntos, são seguidos por mais de 10 milhões de pessoas só nas redes sociais. Vejam algumas dessas passagens:

 

Perguntas e Críticas e recomendações que eles fazem:
1. Que tipos de excursões existem?
O pacote padrão de passeios inclui um passeio de reconhecimento, uma caminhada na selva, uma visita a uma casa de caboclo, e uma noite viajem de canoa jacaré-spotting. Estas são fascinante, divertido e informativo, mas pode ser muito mais. Eles poderiam criar um telescópio e mostrar-lhe as estrelas (a Via Láctea é incrível na Amazônia), que poderiam levá-lo e mostrar-lhe a vida de inseto, ou procurar anfíbios, mas não o fazem porque ninguém tem, e operadores na Amazônia são muito conservadores. Então, a pergunta seguinte.

2. Existem excursões além das básicas? (E quanto custam?) Talvez se nos turistas perguntarem, eles vão desenvolver alguma coisa.

Pergunte aos operadores de turismo se eles têm um biólogo, se eles têm uma biblioteca, se eles têm projetos na natureza, um centro de recursos, canoas para passeio e guias altamente treinados que falem inglês fluente. Com certeza a resposta para essas perguntas será não. Diga-lhes que você vai pela agencia que faça isso. E quando você estiver lá, peça essas coisas novamente. Talvez, lentamente, a mensagem vai passar e as coisas mudem.

Viajens de Barcos na Amazônia:
A comida é servida, geralmente composto de carne, feijão e arroz (que é marrom porque ele é cozido na água do rio) e algumas das vezes há um bar que serve bebidas e lanches. O tamanho e a qualidade das embarcações variam muito. Os melhores barcos cruzam as rotas mais movimentadas: Manaus-Santarém-Belém e Manaus-Tabatinga. A superlotação pode ser um problema. O cheiro e o barulho dos motores são o suficiente para deixá-lo doente, e não se preocupe com os animais que você nunca vai chegar a ver mesmo.

 

Saúde
Outras infecções comuns na Amazônia são larva migrans cutânea (no local que parece mover-se), o qual é facilmente tratada com Thiabendazole, E úlceras tropicais, é transmitida quando você coçar as picadas de mosquito, que, em seguida, ficar sujo e infectado.

Bancos
Pequenas quantidades de dólares americanos em dinheiro geralmente podem ser trocados longe de bancos a uma taxa baixa, mas não são aceitos como moeda local. A taxa de câmbio para troca de cheques de viajante é terrível.
As cidades:
Manaus, Amazon
A cidade portuária de Manaus, estrategicamente posicionado próximo ao ponto onde os três maiores afluentes formam o rio Amazonas, é uma esquisitice, uma extravagância urbana, que virou as costas para a rica floresta circundante e sobreviveu por meio de subsídios federais, seu passado é exótico, e hoje, cada vez mais, está no turismo. Seu espírito em movimento conseguiu riquezas rápidas. Uma vez que ele teve uma forte influência francesa, então, na segunda metade do século 20, adquiriu a imagem de um bazar de eletrônicos de mau gosto, justificada apenas pelo seu estatuto como um porto livre (área de livre comercio).

Belém, Amazon
Belém do Pará é a grande porta da Amazônia. A cidade tem muito interesse cultural, um mercado fascinante, e é o ponto de partida para viagens ao longo do rio. Com temperaturas médias de 26 ° C, que é quente, mas chuvas freqüentes refrescam as ruas. A cidade tem sua parcela grande no crime e é propenso a violência das gangues. Tomar precauções sensatas, especialmente à noite, é recomendável. O rio em frente de Belém sobe por muitos metros durante as cheias sazonais.

Macapá, Amazon
Há pequenas lojas de artesanato, mas uma autêntica seleção de arte e jóias dos povos indígenas Tumucumaque que vêm das fronteiras montanhosas do Amapá, Pará e Suriname. Não deve ser confundido com o enorme e nem com (a extremamente decepcionante) loja estatal de artesanato ao lado.

Santarém, Amazon
A terceira maior cidade do Oeste da Amazônia brasileira é pequena o suficiente para passear em uma manhã. A maioria dos visitantes passeiam dentro e fora da cidade em uma escala.

Alter do Chão, Amazon
Alter do Chão é uma vila simpática no Rio Tapajós, na saída do Lago Verde, 34 km a oeste. Não é bom nadar nas belas praias claras do Tapajós. Perto de Alter do Chão (30 minutos de barco), a junção do Rio Tapajós com o Aruã e Arapiuns cria uma ilha cercada por rios limpos de diferentes cores, cada uma repleta de vida. A ilha de floresta está sendo desenvolvido como um Ecopark, Parque Ecoturístico Arapiuns, Com acomodação para os visitantes, que já está se tornando popular. Macacos e aves habitam as florestas, protegido mais por razões comerciais do que qualquer outra.

Parentins, Amazon
A Festa do Boi Bumba é a mais vibrante no Brasil depois do Carnaval e atrai dezenas de milhares de visitantes de Parintins nos últimos três dias do mês de Junho de cada ano. Mas uma vez que a cidade tem apenas dois pequenos hotéis, encontrar um quarto pode ser um desafio. Todos dormem em redes nos barcos que eles trazem para o festival de Manaus e Santarém.

 

Em meio a tantas informações desencontradas, é primordial que se estabeleça iniciativas que divulguem uma imagem mais coerente da região. Chamar os operadores locais de conservadores é um tanto exagerado, diria ate que é brincadeira. Não é preciso nenhum projeto mirabolante para começar. Eu mesmo já comecei a fazer a minha parte mostrando aos estrangeiros uma Amazônia mais adequada a realidade: A hospitaleira. Focar num serviço diferenciado, feito a molde do visitante pode ser uma boa alternativa. Não adianta tentar oferecer entretenimento e cultura, se o turista gosta de negócios e vice-versa. Bem, eles mesmos já deram as dicas lá em cima, agora é implementar. E o fundamental é que o visitante se sinta em casa.

 

 

Angelo Percy, Revista VOX SA – 08ª Edição, 2014.

https://issuu.com/verdeeditora/docs/revista_vox_ed_08

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *